O “que” é uma das palavras mais versáteis e frequentes na língua portuguesa. Você já parou para pensar em quantas formas diferentes essa palavra pode aparecer em um texto? Ela pode ser um pronome relativo conectando ideias, uma conjunção ligando orações, uma interjeição expressando emoção, ou até um advérbio modificando outros termos. Dominar essas funções é essencial para melhorar sua compreensão de leitura, interpretação de textos e escrita clara.
Neste guia completo, vamos explorar cada uma das funções do “que” com exemplos práticos do dia a dia, dicas para identificar cada uso e exercícios para consolidar seu aprendizado.
1. “Que” como Pronome Relativo
O pronome relativo é aquele que retoma um nome anterior (chamado antecedente) e introduz uma oração subordinada adjetiva. O “que” é o pronome relativo mais comum em português, funcionando como uma ponte que conecta informações sobre algo que já foi mencionado.
Vamos a um exemplo simples: “O livro que estou lendo é fascinante.” Aqui, “que” retoma o nome “livro” e nos dá mais informação sobre ele (que ele está sendo lido).
As Funções Sintáticas do Pronome Relativo “Que”
Dentro da oração subordinada adjetiva, o pronome relativo “que” pode exercer diferentes papéis. Vamos conhecer cada um:
a) “Que” como Sujeito
O “que” funciona como sujeito quando ele é quem faz a ação expressa pelo verbo. É o agente principal da oração subordinada.
Exemplos do dia a dia:
• “Os alunos que estudam todos os dias costumam ter melhor desempenho.”
• “A série que assistimos ontem foi emocionante.”
• “A professora que trabalha na nossa escola é muito dedicada.”
Em todos esses casos, o “que” é o sujeito (quem realiza a ação do verbo).
b) “Que” como Objeto Direto
O “que” funciona como objeto direto quando sofre a ação do verbo. É o alvo ou o resultado da ação expressa.
Exemplos práticos:
• “O filme que você assistiu foi baseado em um livro.”
• “As cores que ela escolheu para o quarto são bonitas.”
• “As aulas que o professor preparou foram muito boas.”
Aqui, o “que” recebe a ação (assistir, escolher, preparar).
c) “Que” como Objeto Indireto
O “que” funciona como objeto indireto quando acompanha uma preposição exigida pelo verbo. Nesse caso, ele não recebe a ação diretamente, mas de forma indireta.
Exemplos com preposição:
• “O assunto de que você falou é muito importante.”
• “A causa social em que você acredita merece nosso apoio.”
• “O projeto sobre que ele trabalha é revolucionário.”
Note que as preposições (de, em, sobre) são exigidas pelos verbos.
d) “Que” como Complemento Nominal
O “que” funciona como complemento nominal quando completa o significado de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio). Ele oferece informação essencial sobre esse nome.
Exemplos do contexto escolar:
• “Tenho certeza de que você vai passar.”
• “Tenho medo de que você se machuque.”
• “A esperança de que tudo melhore me motiva.”
Nesses casos, o “que” complementa nomes (certeza, medo, esperança).
Orações Adjetivas Restritivas vs. Explicativas
Uma coisa muito importante: as orações subordinadas adjetivas podem ser restritivas (essenciais ao sentido da frase) ou explicativas (apenas informativas).
| Tipo | Característica | Exemplo |
|---|---|---|
| Restritiva | SEM vírgulas; restringe o antecedente; muda o sentido se removida | “Os alunos que estudam passam.” (Nem todos, apenas os que estudam) |
| Explicativa | COM vírgulas; apenas adiciona informação; não essencial ao sentido | “Os alunos, que estudam, passam.” (Todos estudam e passam) |
💡 Dica importante: A presença ou ausência de vírgulas muda completamente o sentido da frase! Sempre preste atenção nisso ao interpretar um texto.
2. “Que” como Conjunção
Quando o “que” atua como conjunção, ele não retoma nenhum nome anterior. Seu papel é simplesmente ligar dois termos ou duas orações, conectando ideias.
a) “Que” como Conjunção Integrante
A conjunção integrante introduz orações subordinadas substantivas (aquelas que funcionam como sujeito, objeto direto ou complemento nominal da oração principal).
Exemplos do cotidiano:
• “Espero que você volte logo.” (objeto direto de “espero”)
• “Que você tenha um bom desempenho é meu desejo.” (sujeito da frase)
• “Tenho certeza de que vou conseguir.” (complemento nominal de “certeza”)
Dica: Se conseguir substituir a oração subordinada por “isso” ou “isto”, é conjunção integrante!
Exemplo: “Espero isso” / “Tenho certeza disso”.
b) “Que” como Conjunção Comparativa
Esse “que” estabelece uma comparação entre dois elementos. É super comum no dia a dia!
Exemplos simples:
• “João é mais alto que Pedro.”
• “Gosto mais de futebol que de basquete.”
• “Ela estuda tão bem que (quanto eu).”
Repare que comparamos dois elementos usando “que”.
c) “Que” como Conjunção Consecutiva
Expressa uma consequência ou resultado de algo dito anteriormente. Geralmente aparece junto com intensidades (tão, tanto, tal).
Exemplos práticos:
• “Ele estudou tanto que passou na prova com nota máxima.”
• “O filme era tão emocionante que todos os espectadores choraram.”
• “Choveu de tal forma que alagou toda a rua.”
Veja como a consequência vem sempre após a intensidade!
d) “Que” como Conjunção Causal
Introduz a causa de algo dito anteriormente. É bem comum na linguagem coloquial e em diálogos.
Exemplos no diálogo:
• “Saia daí! Que você vai se machucar!”
• “Fecha a janela! Que está muito frio.”
• “Avança logo! Que estou atrasado.”
O “que” explica por que a pessoa está pedindo ou ordenando algo.
3. “Que” como Interjeição
Uma interjeição é aquela palavra que expressa sentimentos e emoções intensas. O “que” pode funcionar como interjeição para demonstrar surpresa, admiração, indignação ou pavor.
Quando isso acontece, o “que” vem geralmente seguido de um ponto de exclamação (!) e funciona de forma similar a expressões como “ai!”, “oh!”, “nossa!”.
Exemplos com emoção:
• “Que ideia brilhante!” (admiração)
• “Que desastre!” (indignação)
• “Que susto você me deu!” (surpresa)
• “Que linda mulher!” (admiração)
Dica: Você pode substituir por “como!” ou “quão!”
“Que dia bonito!” = “Como é bonito este dia!” = “Quão bonito é este dia!”
Essa função é muito comum em textos narrativos quando queremos mostrar as reações das personagens, e também em conversas cotidianas quando expressamos sentimentos com intensidade.
4. “Que” como Advérbio
Um advérbio é aquele termo que modifica um verbo, adjetivo ou outro advérbio, oferecendo informações sobre tempo, modo, lugar, intensidade, etc. O “que” pode atuar como advérbio em contextos específicos.
a) “Que” com Valor de Intensidade
O “que” funciona de forma parecida com “quão” ou “muito”, enfatizando a intensidade de uma qualidade.
Exemplos:
• “Que belo é esse quadro!” (= “Quão belo é esse quadro!”)
• “Que interessante essa história!” (= “Muito interessante essa história!”)
• “Que rápido ele corre!” (= “Como ele corre rápido!”)
b) “Que” em Expressões Temporais
O “que” aparece em expressões que indicam tempo ou duração.
Exemplos comuns:
• “Faz muito tempo que não te vejo.”
• “Há quanto tempo que você estuda nessa escola?”
• “Faz dias que não chove.”
Resumo das 4 funções principais:
✅ Pronome Relativo: Retoma um antecedente e introduz oração adjetiva
✅ Conjunção: Liga orações ou termos (integrante, comparativa, consecutiva, causal)
✅ Interjeição: Expressa emoção intensa
✅ Advérbio: Modifica verbos/adjetivos/advérbios
5. Quadro Comparativo: Todas as Funções do “Que”
| Função | Características | Exemplo Prático |
|---|---|---|
| Pronome Relativo | Retoma antecedente; introduz oração adjetiva; pode ser sujeito, OD, OI, etc. | “A escola que estudo é grande.” |
| Conjunção Integrante | Introduz oração subordinada substantiva; sem antecedente | “Espero que você venha.” |
| Conjunção Comparativa | Estabelece comparação entre elementos | “Você é mais alto que eu.” |
| Conjunção Consecutiva | Expressa consequência; segue intensidade (tão, tanto) | “Choveu tanto que alagou.” |
| Conjunção Causal | Indica causa; comum em linguagem coloquial | “Saia! Que está chovendo!” |
| Interjeição | Expressa emoção/sentimento; seguida de ponto de exclamação | “Que dia lindo!” |
| Advérbio | Modifica verbo/adjetivo/advérbio; valor intensivo ou temporal | “Faz tempo que não chove.” |
Perguntas Frequentes Sobre as Funções do “Que”
Como diferenciar pronome relativo de conjunção integrante?
Pronome relativo: Tem um antecedente (um nome que ele retoma). Exemplo: “O livro que li…”
(o “que” retoma “livro”).
Conjunção integrante: Não tem antecedente. Introduz uma oração subordinada substantiva.
Exemplo: “Espero que você venha.” (não há um nome sendo retomado).
Por que as vírgulas são importantes nas orações com “que”?
A vírgula antes do “que” indica se a oração é explicativa (com vírgula) ou restritiva (sem vírgula).
Isso muda o sentido completamente!
“Os alunos que estudam passam” (apenas os que estudam)
“Os alunos, que estudam, passam” (todos estudam)
O “que” sempre introduz uma oração?
Não! Quando o “que” é interjeição, ele não introduz oração alguma. Exemplo: “Que dia lindo!” É uma expressão de sentimento, não uma oração subordinada.
Como identificar se “que” é advérbio?
O “que” é advérbio quando modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio. Exemplos: “Faz tempo que não chove” (tempo), “Que lindo!” (intensidade).
🎯 Sua Jornada para Dominar o “Que” Começa Agora!
O “que” é uma palavra pequena em tamanho, mas gigante em importância. Dominar suas funções abre portas para uma compreensão muito mais profunda da língua portuguesa. Cada vez que você identifica corretamente a função de um “que”, está melhorando sua habilidade de interpretação e análise de textos — ferramentas essenciais para qualquer estudante.
A prática leva à perfeição. Continue lendo textos variados, resolvendo exercícios, e sempre perguntando a si mesmo: “Qual é a função deste ‘que’ nesta frase?” Com o tempo, essa análise se tornará automática, e você lerá e escreverá com muito mais clareza e confiança.
Próximos passos: Pratique os exercícios acima, leia bastante, e volte sempre que tiver dúvidas. O Canal do Estudante está aqui para ajudar na sua jornada de aprendizado!