Você já escreveu “os aluno foram” e ficou na dúvida se estava certo? Ou então ficou perdido entre “assisti o filme” e “assisti ao filme”? Se sim, relaxa — você não está sozinho.
Concordância e regência são dois dos temas que mais aparecem em provas: ENEM, vestibulares, concursos e, sim, também nos colégios militares. A boa notícia é que, com a explicação certa, tudo faz sentido muito mais rápido do que você imagina.
Neste guia completo, você vai entender o que é cada um, ver as regras com exemplos do dia a dia e sair daqui sem mais dúvidas.
O Que É Concordância Nominal e Verbal?
Antes de qualquer regra, vamos entender o princípio básico: na língua portuguesa, as palavras precisam “conversar” entre si. Quando essa conversa envolve gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural), chamamos de concordância.
Existe dois tipos principais:
- Concordância Nominal → trata da relação entre substantivos e as palavras que dependem deles (artigos, adjetivos, pronomes, numerais)
- Concordância Verbal → trata da relação entre o verbo e o sujeito da frase
Pense assim: se o sujeito é plural, o verbo precisa ser plural. Se o substantivo é feminino, o adjetivo que o acompanha precisa ser feminino. É como um time — todos jogando na mesma língua.
Concordância Nominal: Como Funciona na Prática
A regra geral é simples: artigos, adjetivos, pronomes e numerais concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem.
Ela é uma aluna dedicado.
Ela é uma aluna dedicada.
Os livros novo chegaram.
Os livros novos chegaram.
Mas é claro que existem situações que exigem atenção especial. Veja os casos mais cobrados em provas:
Adjetivo com Dois ou Mais Substantivos
Quando um único adjetivo se refere a dois ou mais substantivos, a concordância segue estas regras:
🔵 Adjetivo DEPOIS dos substantivos
Concorda com o mais próximo — ou vai para o plural masculino.
Comprei livro e caderno novo.
Comprei livro e caderno novos. (ambas corretas)
🔵 Adjetivo ANTES dos substantivos
Concorda com o mais próximo (o primeiro).
Preciso de novo livro e caderno.
🎯 Macete para provas: quando os substantivos forem de gêneros diferentes e o adjetivo vier depois, o masculino plural “vence”. Ex.: Comprei mochila e estojo bonitos.
Casos Especiais de Concordância Nominal
Existem algumas palavras que “parecem” adjetivos mas têm regras próprias. Guarde essas:
| Palavra | Regra | Exemplo |
|---|---|---|
| Mesmo / Próprio | Concordam com o substantivo ou pronome | Elas mesmas resolveram o problema. |
| Meio (adjetivo) | Concorda com o substantivo | Ela parecia meia perdida. |
| Meio (advérbio) | Invariável (modifica adjetivo) | Ela estava meio cansada. |
| Obrigado / Obrigada | Concorda com quem fala | Homem: Obrigado. / Mulher: Obrigada. |
| Bastante (adjetivo) | Concorda com o substantivo | Havia bastantes alunos presentes. |
| Bastante (advérbio) | Invariável | Ela estudou bastante hoje. |
Concordância Verbal: Fazendo o Verbo e o Sujeito Funcionarem Juntos
A regra básica: o verbo concorda em número e pessoa com o sujeito. Sujeito singular → verbo singular. Sujeito plural → verbo plural.
Os alunos foi para a sala.
Os alunos foram para a sala.
Parece fácil, né? Mas aí vêm os casos especiais — e é justamente neles que as provas te pegam.
Sujeito Composto
Quando o sujeito tem dois ou mais núcleos (dois ou mais substantivos/pronomes), o verbo geralmente vai para o plural.
Exemplo: Pedro e Ana foram ao mercado.
Mas atenção: se o sujeito composto vier depois do verbo, é possível concordar com o mais próximo.
Chegou o professor e os alunos. (concordância com “professor”)
Chegaram o professor e os alunos. (concordância com o conjunto)
Ambas as formas são aceitas pela gramática normativa.
Sujeito com “Nenhum”, “Cada Um”, “Qualquer”
Esses pronomes indicativos de totalidade ou exclusão pedem o verbo no singular, mesmo que a ideia seja coletiva.
- Nenhum dos candidatos foi aprovado.
- Cada aluno deve trazer seu material.
- Qualquer pessoa pode tentar.
Sujeito com Expressão Partitiva: “A Maioria de”, “A Maior Parte de”, “Grande Número de”
Esse é um dos pontos mais cobrados no ENEM e vestibulares. Quando o sujeito vem acompanhado de expressões como a maioria de, a maior parte de, grande número de, o verbo pode concordar tanto com a expressão (singular) quanto com o nome que a segue (plural).
A maioria dos alunos foi reprovada.
A maioria dos alunos foram reprovados.
🎯 Dica de prova: quando a questão apresentar as duas formas como opção, ambas podem estar corretas. O que vai diferenciar é o contexto — ou a prova vai pedir especificamente a concordância obrigatória em outra situação.
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Verbo “Ser”: A Exceção que Muda Tudo
O verbo ser tem uma peculiaridade: ele pode concordar com o predicativo (a parte depois do verbo) em vez do sujeito. Isso acontece especialmente quando um dos termos é pronome pessoal.
| Frase | Concordância |
|---|---|
| A vida são sonhos. | Verbo concorda com “sonhos” (predicativo plural) |
| Tudo são flores. | Verbo concorda com “flores” (predicativo plural) |
| Nós somos o futuro. | Verbo concorda com “nós” (sujeito) |
| Sou eu que resolvo isso. | Verbo da oração relativa concorda com o pronome “eu” |
Verbos Impessoais: Eles Ficam No Singular Sempre
Alguns verbos não têm sujeito — são chamados de impessoais. Por isso, ficam sempre na 3ª pessoa do singular.
- Verbos que indicam fenômenos da natureza: Choveu muito ontem. / Fez frio esta semana.
- Verbo haver no sentido de “existir”: Havia muitos alunos na sala. (não “haviam”!)
- Verbo fazer indicando tempo: Faz dois anos que não o vejo.
⚠️ Pegadinha clássica: “Haviam muitas pessoas no show” está errado! O verbo haver no sentido de existir é impessoal e fica no singular: “Havia muitas pessoas no show.”
Diferente do verbo ter coloquial que as pessoas usam no lugar de haver — na fala cotidiana é aceito, mas em textos formais e provas, use sempre haver no singular.
Sujeito Oculto e Sujeito Indeterminado
Quando o sujeito está oculto (subentendido), o verbo concorda com ele normalmente:
- (Eu) Preciso estudar mais. → verbo na 1ª pessoa do singular
- (Eles) Chegaram cedo. → verbo na 3ª pessoa do plural
Quando o sujeito é indeterminado (não sabemos quem pratica a ação), usamos o verbo na 3ª pessoa do plural sem pronome — ou o verbo acompanhado de “se”:
- Dizem que vai chover esta semana. (3ª pessoa do plural)
- Precisa-se de estagiários. (voz passiva sintética)
O Que É Regência? Nominal e Verbal
Se a concordância trata de “como as palavras combinam em gênero e número”, a regência trata de outra coisa: qual preposição usar para ligar uma palavra a outra.
Em outras palavras, regência responde a pergunta: esse verbo (ou esse substantivo) pede alguma preposição? Se sim, qual?
Existem dois tipos:
- Regência Verbal → relação entre o verbo e seus complementos
- Regência Nominal → relação entre nomes (substantivos, adjetivos) e seus complementos
Regência Verbal: Os Verbos Que Mais Caem em Prova
Alguns verbos são chamados de transitivos diretos (não pedem preposição) e outros de transitivos indiretos (pedem preposição). Há ainda os que podem ser os dois dependendo do sentido.
| Verbo | Regência | Exemplo correto | Exemplo errado |
|---|---|---|---|
| Assistir (ver) | Transitivo indireto → a | Assisti ao jogo. | Assisti o jogo. |
| Assistir (ajudar) | Transitivo indireto → a | O médico assistiu ao paciente. | O médico assistiu o paciente. |
| Visar (ter como objetivo) | Transitivo indireto → a | Isso visa ao bem comum. | Isso visa o bem comum. |
| Visar (mirar, aprovar) | Transitivo direto → sem preposição | O atirador visou o alvo. | |
| Chegar / Ir | Pedem preposição a | Cheguei ao colégio. | Cheguei no colégio. |
| Obedecer / Desobedecer | Transitivo indireto → a | Ela obedeceu ao professor. | Ela obedeceu o professor. |
| Implicar (acarretar) | Transitivo direto → sem preposição | Isso implica mudanças sérias. | Isso implica em mudanças sérias. |
| Gostar | Transitivo indireto → de | Gosto de estudar. | Gosto Ø estudar. |
| Precisar | Transitivo indireto → de | Preciso de ajuda. | Preciso Ø ajuda. |
| Lembrar / Esquecer | Direto (sem se) ou indireto com de (com se) | Lembro o fato. / Lembro-me do fato. |
O Caso “Chegar Em” vs. “Chegar A”
Esse é um dos erros mais comuns da língua falada — e mais cobrados nas provas.
Cheguei no Brasil. / Fui no mercado.
Cheguei ao Brasil. / Fui ao mercado.
A regra: os verbos de movimento chegar e ir pedem a preposição a (que com “o” forma “ao”). O uso de “em” é coloquial — aceito na fala cotidiana, mas não na norma padrão escrita.
📌 Exceção prática: quando o lugar indica permanência ou destino com ideia de interior, o “em” pode ser aceito. “Estou no Brasil” (estado de estar) é diferente de “Cheguei ao Brasil” (movimento de chegar).
Mas em prova de múltipla escolha? Quando a opção for entre “cheguei ao” e “cheguei no”, sempre escolha ao.
Regência Nominal: Os Substantivos e Adjetivos Que Pedem Preposição
Assim como os verbos, alguns nomes também exigem preposições específicas para ligar seu complemento. Isso é regência nominal.
| Nome | Preposição | Exemplo |
|---|---|---|
| Amor / Ódio / Respeito | a, por | Amor ao próximo. / Respeito por todos. |
| Capacidade | de, para | Capacidade de aprender. / Capacidade para o cargo. |
| Necessidade | de | Necessidade de estudar. |
| Diferente | de | Esse método é diferente do anterior. |
| Ansioso | por, de | Ansioso por resultados. |
| Favorável / Contrário | a | Favorável à mudança. / Contrário ao plano. |
| Apto / Hábil | a, para | Apto ao serviço. / Hábil para negociar. |
| Curioso | de, por | Curioso por saber a resposta. |
🎯 Como memorizar regência nominal: quando você conhece bem o verbo correspondente, a preposição costuma ser a mesma. Se você precisa de algo (verbo), então necessidade de (substantivo) usa a mesma preposição. Funciona para muitos casos!
Crase e Regência: Uma Dupla Inseparável
Não dá pra falar de regência sem tocar na crase. Isso porque a crase ocorre justamente quando a preposição “a” encontra o artigo “a” — e a regência é que determina se há preposição ou não.
Raciocínio prático:
- O verbo ou nome pede a preposição a? → Se sim, pode haver crase.
- O substantivo seguinte aceita o artigo feminino a? → Se sim, há crase.
Assisti à apresentação. (assisti = pede “a” + “a apresentação”)
Assisti ao jogo. (assisti = pede “a” + “o jogo” = ao)
Em resumo: entender regência verbal é o primeiro passo para acertar a crase também. As duas habilidades andam juntas.
Resumão: As Regras Que Mais Caem em Prova
Para fechar a teoria, veja um apanhado das situações que aparecem com mais frequência nos vestibulares, ENEM e concursos:
Perguntas Frequentes Sobre Concordância e Regência
Qual é a diferença entre concordância e regência?
Concordância trata de como as palavras se ajustam em gênero e número (ex.: o verbo no plural quando o sujeito é plural). Regência trata das preposições que ligam uma palavra à outra (ex.: qual preposição usar com determinado verbo ou nome). As duas são áreas da sintaxe, mas cada uma regula um aspecto diferente da frase.
Por que “haviam muitas pessoas” está errado?
Porque o verbo haver, quando usado no sentido de “existir”, é impessoal — ou seja, não tem sujeito. Verbos impessoais ficam sempre na 3ª pessoa do singular. Portanto, o correto é “havia muitas pessoas”. Esse é um dos erros mais comuns e mais cobrados em provas de língua portuguesa.
“Assisti o filme” ou “assisti ao filme”?
Na norma culta, o correto é “assisti ao filme”. O verbo assistir no sentido de “ver” é transitivo indireto e pede a preposição a. Assim, “a” + “o filme” = “ao filme”. O uso sem preposição (“assisti o filme”) é muito comum na fala coloquial, mas está incorreto de acordo com a gramática normativa.
O que é sujeito indeterminado e como o verbo concorda com ele?
Sujeito indeterminado é quando não sabemos ou não queremos dizer quem pratica a ação. Existem duas formas principais: usar o verbo na 3ª pessoa do plural sem pronome (“Dizem que vai chover”) ou usar o verbo na 3ª pessoa do singular acompanhado de “se” (“Precisa-se de ajuda”). Em ambos os casos, o sujeito é indeterminado porque não está claramente identificado na frase.
🎓 Agora Você Tem as Ferramentas — é Hora de Usar
Concordância e regência podem parecer complicadas no início, mas seguem uma lógica muito clara: as palavras precisam se relacionar de forma coerente dentro da frase. Quando você entende essa lógica, as regras deixam de ser decoreba e passam a fazer sentido.
O segredo para nunca mais errar é simples: pratique bastante. Leia, escreva, resolva questões. Com o tempo, o seu ouvido começa a reconhecer o que soa certo — e os erros ficam cada vez mais raros.
Ficou com alguma dúvida? Deixe nos comentários. E se quiser treinar com exercícios comentados, o Caderno de Atividades de Português do 6º Ano tem tudo o que você precisa para fixar cada regra deste guia.
