As técnicas de estudo com mais comprovação científica são duas: resolver questões para testar o que você sabe e espaçar o estudo ao longo de dias e semanas. Grifar, reler e resumir aparecem entre as menos eficazes na maior revisão já feita sobre o tema. Neste guia, mostro os melhores métodos e técnicas de estudo segundo a ciência, explico como aplicar cada um e conto quais funcionaram para mim, em mais de uma aprovação em concurso.

Meu nome é Wellington Beltrão, e há 8 anos me tornei especialista em aprendizagem. Essa paixão surgiu ao perceber a grande quantidade de estudantes com dificuldades em aprender o básico. Estou aqui para mostrar que a habilidade de aprender algo é mais simples quando se utiliza boas estratégias de aprendizagem.

Quais são as melhores técnicas de estudo?

As melhores técnicas de estudo são o autoteste, que é resolver questões e tentar lembrar o conteúdo sem olhar, e o estudo espaçado, que é revisar o mesmo assunto em vários momentos em vez de tudo de uma vez. Foram as únicas duas, entre as dez avaliadas, que receberam a classificação de alta utilidade numa revisão científica de 2013.

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Na prática, isso significa trocar parte do tempo em que você só lê pela resolução de questões, e voltar aos conteúdos depois de alguns dias, semanas e meses. Logo atrás vêm três técnicas de utilidade moderada: perguntar “por quê” ao estudar, explicar o conteúdo com as próprias palavras e intercalar matérias ou tipos de exercício.

O que a ciência diz sobre as técnicas de estudo?

A principal referência é a revisão de Dunlosky e colegas, publicada em 2013 na revista Psychological Science in the Public Interest, que avaliou dez técnicas de estudo muito usadas. Duas foram consideradas de alta utilidade, três de utilidade moderada e cinco de baixa utilidade.

A classificação de cada técnica está no resumo oficial do artigo, e o comunicado da Association for Psychological Science resume as conclusões:

TécnicaUtilidadeComo aplicar
Autoteste (practice testing)AltaResolver questões, simulados e flashcards; tentar lembrar antes de olhar a resposta
Estudo espaçado (distributed practice)AltaRevisar o mesmo conteúdo em dias e semanas diferentes
Interrogação elaborativaModeradaPerguntar “por que isso é verdade?” enquanto estuda
AutoexplicaçãoModeradaExplicar com as próprias palavras cada passo do conteúdo
Estudo intercaladoModeradaMisturar tipos de problema ou matérias na mesma sessão
ResumirBaixaFunciona melhor quando o resumo vira material de revisão e de autoteste
Grifar ou sublinharBaixaUsar pouco, só para marcar o que vai virar pergunta ou revisão
Mnemônico de palavra-chaveBaixaÚtil para listas e nomes específicos, não para entender a matéria
Imagens mentais para textosBaixaÚtil para conteúdos fáceis de visualizar
RelerBaixaTrocar parte da releitura por questões feitas alguns dias depois
As 10 técnicas avaliadas por Dunlosky et al. (2013). A coluna “como aplicar” é uma orientação prática do Canal do Estudante.

Grifar, reler e resumir funcionam?

Funcionam pouco quando usados sozinhos: o estudo de 2013 classificou as três técnicas como de baixa utilidade. O próprio autor da pesquisa diz que só trocar a releitura por prática de lembrar o conteúdo alguns dias depois já beneficiaria os estudantes.

A frase é de John Dunlosky, no comunicado da Association for Psychological Science. Agora eu preciso que você seja sincero comigo: você já sabia que utilizar o marca-texto era uma técnica com baixa eficácia? Deixe nos comentários e me diga qual técnica você utiliza.

Isso não quer dizer que você deve jogar fora os seus resumos. A técnica com que eu mais me identifiquei foi criar resumos e depois estudar por eles. O que a pesquisa mostra é que o resumo, sozinho, rende pouco: ele funciona melhor como material de revisão, junto com questões, como explico em como fazer um resumo.

Quais técnicas de estudo eu usava para passar em concurso?

A técnica com que eu mais me identifiquei foi criar resumos e depois estudar por eles, e o palácio da memória me ajudou bastante a ligar nomes a objetos. A que menos me ajudou foi o Pomodoro, porque eu sempre gostei de estudar por um tempo maior e só depois descansar um pouco.

Na rotina, eu combinava isso com outras técnicas: em cada matéria, lia a lei seca, assistia a uma videoaula e fazia questões; aos sábados, fazia simulados; e revisava com flashcards que eu mesmo criava. Olhando para a tabela acima, as questões, os simulados e os flashcards são exatamente as técnicas de alta utilidade. Foi com essa combinação que fui aprovado para agente de execução penal do Distrito Federal, como conto no guia de como estudar para concurso público.

A lição da minha experiência é que não existe técnica perfeita para todo mundo: o Pomodoro funciona para muita gente e não funcionou para mim. Teste, mantenha o que funciona e combine com questões e revisão.

Qual o melhor método de estudo para você?

O melhor método é o que combina uma técnica de alta utilidade, como questões e revisão espaçada, com o objetivo do momento: memorizar, entender ou organizar o tempo. Escolha pelo que você precisa fazer, e não pela técnica da moda.

  • Precisa memorizar (leis, datas, fórmulas, vocabulário): flashcards, revisão espaçada, palácio da memória e mnemônicos.
  • Precisa entender (física, matemática, interpretação): técnica Feynman, autoexplicação, perguntas de “por quê” e mapas mentais.
  • Precisa organizar o tempo: cronograma, ciclo de estudos e, se funcionar para você, Pomodoro.
  • Está perto da prova: questões da banca, simulados e revisão dos erros.

Se quiser entender como cada pessoa aprende, veja também os tipos de aprendizagem e os níveis de aprendizagem.

Como estudar de forma eficiente?

Estude a teoria, resolva questões logo em seguida, revise em intervalos crescentes e alterne matérias ao longo da semana. É a combinação das técnicas de alta e moderada utilidade num ciclo simples.

  1. Teoria curta: leia ou assista ao conteúdo com atenção, sem grifar tudo.
  2. Autoexplicação: explique o que entendeu com as suas palavras, em voz alta ou por escrito.
  3. Questões: resolva exercícios sobre o assunto antes de passar para o próximo.
  4. Revisão espaçada: volte ao conteúdo depois de alguns dias e de algumas semanas, com flashcards ou questões.
  5. Intercalação: misture matérias e tipos de exercício na semana.

Para encaixar isso na semana, use o nosso modelo de cronograma de estudos e o calendário de revisão de estudos.

O que são métodos de estudo ativo?

Métodos de estudo ativo são os que obrigam você a fazer algo com o conteúdo, como responder, explicar, testar ou ensinar, em vez de só ler ou assistir. Autoteste, autoexplicação, técnica Feynman, estudo dirigido e grupos de estudo são exemplos.

O estudo passivo, como reler e grifar, dá a sensação de que você aprendeu, mas a tabela da pesquisa mostra que rende pouco. Eu considero o estudo dirigido uma das técnicas ativas mais interessantes, e você entende melhor com o vídeo que eu fiz para você:

O passo a passo escrito está em estudo dirigido.

O que é estudo intercalado?

Estudo intercalado é misturar diferentes tipos de problema ou matérias na mesma sessão, em vez de fazer um bloco inteiro de um assunto só. A revisão de 2013 classificou a técnica como de utilidade moderada.

Um exemplo: em vez de fazer 20 questões seguidas de porcentagem e depois 20 de regra de três, misture as duas na mesma lista. Assim você treina reconhecer qual método usar em cada questão, que é o que acontece na prova. Os simulados e as listas de questões mistas são formas fáceis de intercalar.

Quais técnicas de estudo ajudam a memorizar?

Para memorizar, as mais úteis são flashcards com revisão espaçada, porque juntam as duas técnicas de alta utilidade. Palácio da memória e mnemônicos ajudam com listas, nomes e sequências.

Para entender por que esquecemos e como a revisão resolve isso, leia sobre a curva do esquecimento e como melhorar a memória para estudar.

Quais técnicas de estudo ajudam a entender a matéria?

Para entender, use técnicas que obrigam você a explicar e a relacionar ideias: técnica Feynman, autoexplicação, perguntas de “por quê” e mapas mentais. Elas mostram rapidamente onde estão as lacunas do seu entendimento.

  • Técnica Feynman: explicar o conteúdo como se ensinasse a uma criança. Veja a técnica Feynman.
  • Mapas mentais: ligar os conceitos de um assunto num desenho só. Veja como fazer mapas mentais.
  • Método Cornell: dividir a folha de anotações em colunas de perguntas, notas e resumo. Veja o método Cornell.
  • SQ3R: um roteiro de leitura em cinco etapas para textos longos. Veja o método SQ3R.

Este é um mapa mental que eu fiz sobre ácidos nucleicos:

mapa mental sobre ácidos nucleicos (DNA e RNA) feito à mão
Mapa mental sobre ácidos nucleicos: DNA, RNA, replicação e síntese de proteínas num desenho só.

Quais técnicas de estudo ajudam a organizar o tempo?

Para organizar o tempo, use um cronograma semanal ou um ciclo de estudos e escolha um formato de blocos e pausas que funcione para você. O Pomodoro é o mais conhecido, mas não é obrigatório.

O Pomodoro divide o estudo em blocos curtos com pausas, e muita gente rende mais assim. Comigo não funcionou: eu sempre gostei de estudar por um tempo maior e só depois descansar um pouco. Se for o seu caso, use blocos mais longos e pausas maiores. Veja como funciona a técnica no vídeo e no guia da técnica Pomodoro:

Para planejar a semana, use o cronograma de estudos com modelos gratuitos ou um ciclo de estudos, se a sua rotina muda muito.

Quais métodos de estudo usar para concurso?

Para concurso, os métodos que mais rendem são questões da banca, simulados, leitura da lei seca e revisão espaçada. São a aplicação direta do autoteste e do estudo espaçado, as duas técnicas de alta utilidade.

  • Questões da banca: mostram como o conteúdo é cobrado. Veja como estudar para concurso por questões.
  • Lei seca: o texto da lei, cobrado ao pé da letra em muitas provas.
  • Simulados semanais: treinam o tempo e mostram as matérias fracas.
  • Revisão com resumos e flashcards: foi o que eu usava, e as duas coisas viram material de autoteste.

Se quiser um método pronto que junta exatamente essas peças, conheça o Tripé da Aprovação, o método 3R: resumos, revisão e resolução de questões.

Como escolher e combinar as técnicas de estudo?

Comece por uma base fixa de questões e revisão espaçada e acrescente as outras técnicas conforme a necessidade: memorização, entendimento ou organização. Teste por algumas semanas e mantenha só o que funciona para você.

Um plano simples para começar: estude a teoria, explique com as suas palavras, faça questões no mesmo dia, transforme os erros em flashcards ou num resumo curto e revise ao longo das semanas. E, para treinar com questões de graça, o banco de questões do Canal do Estudante tem cadastro gratuito, sem cartão.

O que mais as pessoas perguntam sobre técnicas de estudo?

As dúvidas mais comuns são sobre qual a melhor técnica, se resumo funciona e o que é a técnica Feynman. Respondo cada uma abaixo, em poucas linhas.

Qual a técnica de estudo mais eficaz?

Resolver questões e testar o que você sabe (autoteste), junto com o estudo espaçado ao longo do tempo. As duas foram as únicas classificadas como de alta utilidade na revisão de Dunlosky et al. (2013).

Qual a diferença entre método e técnica de estudo?

A técnica é uma ação específica, como fazer flashcards ou resolver questões. O método é a forma de organizar várias técnicas numa rotina, como um ciclo de estudos ou o Tripé da Aprovação.

Fazer resumo ajuda a estudar?

Ajuda, mas pouco quando é a única técnica: resumir ficou entre as de baixa utilidade no estudo de 2013. Rende mais quando o resumo vira material de revisão e de questões, como explico em como fazer um resumo.

O que é a técnica Feynman?

É explicar o conteúdo com palavras simples, como se ensinasse a alguém que não conhece o assunto, e voltar ao material quando travar. Veja o passo a passo da técnica Feynman.

O Pomodoro funciona para todo mundo?

Não. Ele ajuda quem se distrai fácil, mas há quem renda mais em blocos longos com pausas maiores, que é o meu caso. Veja como funciona a técnica Pomodoro.

Quantas técnicas de estudo devo usar?

Comece com duas fixas, questões e revisão espaçada, e acrescente uma técnica para o que você mais precisa: memorizar, entender ou organizar o tempo. Usar muitas ao mesmo tempo atrapalha mais do que ajuda.

Qual o melhor método de estudo para o Enem?

Questões de provas anteriores, simulados e revisão espaçada, com redação treinada toda semana. Veja como usar provas antigas do Enem.

Sobre o autor: Wellington Beltrão é jornalista, especialista em técnicas de estudo e aprendizagem e estuda para concursos públicos desde 2014. Foi aprovado para agente de execução penal do DF, agente socioeducativo do DF e escrivão da Polícia Civil de Goiás, e é policial penal no Distrito Federal desde 2018.